• Luís André Beckhauser

O tempo, a indiferença e o movimento

Entre 1539 até 1888 o Brasil conviveu com a escravidão legal, nos outros 100 anos seus efeitos foram ignorados, pois ausente qualquer mecanismo para efetiva reparação aos negros.

As Leis 7.716/1989, 12.288/2010 e 12.711/2012 demoraram na tentativa de minimizar o impacto que os séculos de aprisionamento impingiram na sociedade brasileira, que com o passar das décadas incorporou o povo africano em uma nova cultura, porém mantendo inalterada a supremacia dos dominadores.


Entre as classes mais favorecidas a educação tornou possível a mobilidade social, porém o ensino foi justamente sonegado do negro, mantendo inviável a possibilidade de ascensão.


Isso demonstra que mesmo com a abolição o Estado Brasileiro manteve os cativos, quando não possibilitou o direito ao retorno, criou uma amarra social que os impediu de obter uma liberdade plena. A proposital falta de incentivo para promoção da igualdade manteve a sociedade atrelada aos mesmos subterfúgios da relação de trabalho e submissão do passado e ao olhar do homem cordial tudo caminhava no compasso esperado.


Acordamos muito tarde, embalados profundamente em mais de 100 anos pela sinfonia da indiferença e do conformismo, esse lapso torna para alguns imperceptível as razões para promoção de políticas para diminuição da desigualdade social existente entre os diferentes grupos raciais brasileiros. O esquecimento não é desculpa! O discurso efusivo disfarçado em um sofisma de igualdade e unicidade inexistentes deve ser combatido. Os advogados que bem compreendem o princípio da igualdade devem reverberar para a sociedade a importância das políticas de reparação e ações afirmativas já confirmadas e da necessidade da sua imediata ampliação, contrapondo o discurso da indiferença e do ódio.


Devemos contribuir não apenas com a defesa das leis e a luta por sua ampliação, mas sim com ações diárias individuais com objetivo da garantia de igualdade de oportunidades e tratamentos, compensando as mazelas da discriminação ainda existente.


Essa é uma das razões pela qual o movimento OAB PLURAL existe!

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