• Luís André Beckhauser

Faleceu Marcus Antônio Luiz da Silva aos 59 anos após luta contra o câncer

Hoje é dia de reflexão, pois um colega passa a integrar o cadastro nacional dos advogados na “situação falecido”.


Buscar pela memória e tentar lembrar do voluntariado e das vinculações com aquele que partiu parece ser a melhor maneira de compreender a história e o legado que a sua atuação deixará para os advogados “regulares” e para o próprio articulista.


Marcão em Joinville (SC) 2018

Em 2003, participei timidamente da campanha na Subseção de Joinville, momento de consolidação do escritório, não encontrando muita disposição para o voluntariado. Porém, a criação das comissões naquela gestão, modelo seguido pela Seccional mais tarde, acabou me aproximando, em razão de ter assumido a presidência da comissão de telemática. Neste período percebi que os mesmos defeitos da sociedade brasileira são replicados na Ordem e não devemos seguir pessoas.


Naquele ano o movimento de renovação na Seccional na figura de Dr. João Leonel Machado Pereira estava ativo em oposição à tentativa da reeleição, bem sucedida, de Adriano Zanotto.


Ao final da gestão de Zanotto, concorreram pela situação Paulo Roberto Borba para Seccional e Renato Kadletz para CAASC, a dupla venceu a oposição novamente denominada de Nova Ordem, encabeçada por Luiz Fernando da Rocha Roslindo. Mesmo com o insucesso, essa campanha deu corpo a oposição em Santa Catarina, sendo que em 2009 Paulo Roberto de Borba buscou a reeleição contra outras duas Chapas: Nova Ordem - agora com Tullo Cavallazzi Filho -, passando Luiz Fernando a ocupar uma das três vagas de candidato ao Conselho Federal; a segunda chapa contava com Marcão e Luiz Bratti. No final da eleição, ficou visível que a união das duas oposições era suficiente para a renovação da Seccional na próxima eleição.


Na gestão da CAASC de Renato Kadletz, o plano de saúde sofreu uma alteração drástica que impactou no aumento significativo da mensalidade para minha faixa etária. Lembro que não concordava com a migração compulsória para um novo sistema e com o aumento de mais de 50% no custo. Considerava inconcebível que os planos de saúde de outros conselhos fossem muito mais atrativos que o da Ordem. Naquele momento, decidi voltar à militância na OAB para mudar a forma de gestão do plano de saúde e entregar uma mensalidade inferior ao do CREA - à época era a referência do menor valor entre os conselhos.


Nessa eleição de 2009, participei de uma chapa espelho da Nova Ordem para Subseção de Joinville e, em menos de duas semanas de campanha, obtivemos 40% dos votos para Seccional contra 32% de Paulo Roberto Borba e 29% do Marcão. Infelizmente, não foi suficiente o esforço mesmo na companhia de Leandro Gornick Nunes, Gilson Acácio, Arthur Alexandre Bencz de Camargo, Rodrigo Coelho e Roslindo, entre tantos outros colegas que apoiaram.


Com as sobras da campanha de 2009, organizei no final de 2011 em Joinville um almoço no salão de festas do prédio de Luiz Fernando da Rocha Roslindo, onde compareceu o Marcão - momento em que a união das oposições de Santa Catarina foi concretizada. No discurso de Marcão, a pluralidade e a renovação foram enaltecidas, desde então contei com sua amizade.


Na formação da nominada da campanha de 2012 foi integrado parte da dissidência da então situação da Seccional, com o ingresso do Paulo Marcondes Brincas, que havia sido preterido em favor de Marcio Luiz Fogaça Vicari, concorrente à presidência pela Situação. Em conjunto com o Paulo migrou para oposição Rafael de Assis Horn.


Na formação da chapa percebi que poderia, como secretário adjunto da CAASC, colocar em prática o objetivo de entregar um plano de saúde com valores reduzidos.


Com a União de Marcão e Tullo, a Chapa Todos pelo Ordem venceu a eleição e, como secretário adjunto da CAIXA, em conjunto com o Tesoureiro Rafael de Oliveira Graf e demais integrantes da diretoria e conselho da CAASC, conseguimos entregar aos advogados catarinenses o plano de saúde com a menor mensalidade entre os conselhos de classe, duplicando o número de vidas atendidas.


Ao final daquela gestão me afastei da OAB, visto que o objetivo da redução da mensalidade do plano de saúde havia sido cumprido. Estava satisfeito!


Voltei para política da OAB em 2018 e, em conjunto com alguns colegas, agrupamos a oposição na Subseção de Joinville, iniciando um novo ciclo de renovação, como aquele de 2009, com objetivo de auxiliar Marcus Antônio Luiz da Silva que por conta da doença, não completou o processo democrático de mudança na Seccional.


Este retrospecto demonstra que aquilo que verdadeiramente importa é com quem escolhemos lutar para defender os princípios que cultivamos, fazendo valer a efêmera passagem pela vida. O ciclo se encerrou para o colega Marcão e a mensagem da luta pela democracia e pluralidade que sempre espalhou estão entranhadas nas bases da Ordem dos Advogados em Santa Catarina.


Independentemente das alianças momentâneas, cada colega contribuiu para a história do Dr. Marcus na OAB-SC e o seu legado deve ser absorvido por cada um que deseja contribuir com o voluntariado.


A estrela solitária no expoente do brasão da OAB PLURAL já tem um nome!


Marcus Antônio Luiz da Silva

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